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Pharma 2.0: Como vingar em face de Obama e da crise no crédito?
Nos anos mais recentes, as farmacêuticas estão adaptando o seu modelo de negócio, de modo a responder aos crescentes constrangimentos e declínio do foco em terapias blockbusters nos cuidados primários. Mas este processo de mudança foi recentemente interrompido pelos desafios colocados pela recessão econômica mundial e pelos planos de reestruturação do sistema de saúde norte-americano do Presidente Obama. Esta é a análise do Datamonitor, que aconselha "equilíbrio".
Para retomar a viagem no sentido de uma nova fase, denominada pelo Datamonitor de "Pharma 2.0", a Indústria Farmacêutica (IF) precisa equilibrar os aspectos de maior pressão no curto prazo com as tendências de longo prazo que estão a redesenhar o setor, diz o analista estratégico sênior do Datamonitor, Alistair Sinclair.
Farmacêutica defronta desafios adicionais sem precedentes
Historicamente, as companhias farmacêuticas vêm enfrentando vários desafios importantes, tanto a nível interno como externo, os quais "esculpiram" a forma da IF como hoje a conhecemos. Alguns dos que ainda persistem incluem o declínio dos processos internos de I&D das companhias, juntamente com a crescente competição tanto de concorrentes de marca como de genéricos, num mercado cada vez mais povoado; resultando numa aguerrida disputa ao nível do preço.
A cada vez maior pressão reguladora significa também que as companhias estão mais restringidas na promoção dos seus produtos junto de doentes e médicos, com decisões por parte dos pagadores cada vez mais criticas relativamente à prescrição, ou não, de um medicamento.
No entanto, estes não são temas novos. A IF há muito que tem consciência destes potenciais problemas, tendo já implementado estratégias para evoluir para lá do modelo tradicional de indústria, no sentido de um novo modelo: o Pharma 2.0.
Este novo modelo define uma entidade mais leve e globalizada, cuja escala aumentada é atingida "virtualmente" ao invés de através de acréscimos, explica Sinclair. «O Pharma 2.0 está focado em atingir mercados de elevado crescimento através de alianças colaborativas, do uso de estratégias de vendas e de marketing "inteligentes" e preços custo/efectivos», diz.
No entanto, nos últimos 12 meses, a IF começou a ser confrontada com desafios políticos e econômicos adicionais e sem precedentes. Muitas economias líderes entrando em recessões potencialmente profundas e longas, e esta nova realidade econômica, combinada com os planos de revisão do sistema de Saúde dos EUA do presidente norte-americano Barack Obama, aumentou a vulnerabilidade da IF, e na precisa altura em que esta dava os primeiros passos no sentido da Pharma 2.0, com a extinção do modelo de blockbusters e o precipício de 2011 das patentes se aproximando rapidamente. O Datamonitor acredita que as propostas de reforma do Presidente Obama terão um impacto negativo no futuro crescimento da IF. Enquanto a provável expansão na Saúde Pública, através da captura dos 15% da população que se estima não estarem cobertos por planos de saúde, irá aumentar os lucros futuros, as companhias de genéricos e eventualmente os fabricantes de biosimilares serão quem mais ficará a ganhar.
A necessidade de cortar os custos da Saúde nos EUA, através da potencial implementação de estudos comparativos da efetividade e de importações paralelas, irá "anular" qualquer dividendo adicional que a Farmacêutica de investigação possa observar através da expansão da prestação dos cuidados de saúde.
Para, além disto, a Indústria também enfrenta pressões econômicas adicionais, tanto diretas como indiretamente, em resultado da desaceleração econômica global.
As grandes farmacêuticas empreenderam já um conjunto de estratégias de cortes de custos, ao mesmo tempo em que, em resultado da crise de financiamento da Biotecnologia, muitas empresas pequenas enfrentam uma potencial falência, à medida que as tradicionais fontes de financiamento (mercados de dívida, ofertas públicas, colocações privadas e obrigações convertíveis) ainda estão em grande parte fechadas a empresas de elevado risco.
Para, além disto, devido ao agravamento das condições económicas nos EUA, os pacientes não segurados têm agora ainda menos capacidade de cobrir os custos da sua saúde, comenta Sinclair. «Com uma população não segurada crescente, os pacientes estão cada vez mais a optar por medicamentos genéricos quando estes estão disponíveis, para além de tomarem outras decisões pessoais de cortes de custos em saúde; com impacto, em última análise, nas vendas farmacêuticas».
«A IF também poderá ter de lutar para justificar os custos de prescrição de medicamentos no decorrer dos próximos anos, com a crescente pressão por parte dos pagadores para se produzirem dados farmacoeconómicos mais robustos», diz.
Farmacêutica está a adaptar-se a tendências em evolução
Em resposta a estas tendências em evolução, e como primeiros passos na transição para a Pharma 2.0, as companhias adotaram várias estratégias, freqüentemente opostas, mas não mutuamente exclusivas, de modo a corresponderem às mudanças no mercado e expectativas dos acionista. As mais pertinentes incluem: - Mega-fusões ou aquisições de pequena escala - Pfizer/Wyeth e MSD/Schering Plough versus a opinião do CEO da GlaxoSmithKline, Andrew Witty, que defende que dificilmente as grandes fusões e aquisições constituirão «uma fantástica solução para o que quer que seja nos próximos anos». (1)
- Expansão de portfólio ou especialização de portfólio - A Johnson & Johnson está a expandir a sua presença não farmacêutica e a Abbott está a fazer crescer o seu negócio de dispositivos médicos. No entanto, a Roche, que se está a focar exclusivamente na sua concessão oncológica, espera que dois terços das vendas de fármacos éticos em 2012 sejam gerados nesta área.
- Melhoria das pipelines através de aquisições ou start-ups de I&D satélite - A Roche está a enriquecer a sua pipeline interna através da aquisição final da Genentech, enquanto a GSK e agora a Pfizer e a Eli Lilly abraçaram o modelo das start-ups de I&D.
Apesar destas variações, as companhias farmacêuticas implementaram também um número de soluções estratégicas transversais perante as crescentes pressões que enfrentam:
- Corte de custos - Os cortes mais notados têm sido, de longe, nas equipas de vendas na área dos cuidados primários, com os orçamentos de I&D a enfrentarem, igualmente, reduções.
- Mudança para áreas especializadas de elevado crescimento - As companhias aumentaram a sua atenção no desenvolvimento de terapias biológicas, as quais têm preços mais elevados e são atualmente relativamente imunes à concorrência de genéricos nos EUA.
- Expansão ao resto do mundo - As farmacêuticas de marca estão a expandir-se para mercados emergentes, de forma a capitalizar nas taxas de crescimento mais elevadas destes países, em comparação com os mercados tradicionais. Prevê-se que as vendas de medicamentos de prescrição do Top 50 das companhias farmacêuticas nos mercados "do resto do mundo" cresçam duas vezes mais depressa que nos mercados maduros (2.2% nos EUA, Japão, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido combinados versus 4.1% nos restantes mercados globais conjuntamente; 2008-13)**.
«Enquanto as companhias já se adaptaram a alguns dos desafios da IF, as estratégias precisam de ser ainda mais adaptadas», diz Sinclair. «A turbulência nos mercados financeiros globais e um aumento das políticas intervencionistas, particularmente nos EUA, irá tornar o percurso da IF através do terreno radicalmente alterado da Saúde bastante mais difícil, embora os objetivos finais permaneçam os mesmos».
*De acordo com o relatório do Datamonitor "Future Pharmaceutical Industry Trends", Março 2009.
**"PharmaVitae Company Comparator Tool", do Datamonitor, Janeiro 2009.
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