Matéria Prima: Comunicação!
Por Cássio Rossetti*
Independente do segmento de produtos farmacêuticos
– prescrição, otc, hospitalar, oncológico,
cirúrgico, nutricêutico, etc. – ou da especialidade
de médicos que é visitada, podemos afirmar que a matéria
prima com a qual trabalhamos é a comunicação.
É através do domínio
desta que conseguimos nos tornar cada vez mais eficazes em atingir
os resultados a que nos propomos não importando a escala
hierárquica que ocupemos dentro da indústria farmacêutica
: um Diretor ou um Propagandista.
É importante, pois que conheçamos
os três níveis que estruturam uma comunicação,
e os elementos que impactam fortemente cada um deles, pois cada
um desses níveis, como nos explica Claude Shanon em seu livro
“Mathematical Theory of Comunication”, é um ponto
estratégico e sensível de um sistema de comunicação
onde há mais probabilidades de ocorrerem viés que
trarão, como um efeito colateral, uma baixa no nível
de clareza e entendimento da mensagem com a conseqüente baixa
da eficácia almejada.
Vejamos o diagrama abaixo:

Encontramos assim três níveis distintos
que respondem pela estruturação de um canal de comunicação:
nível mental ( A e A’ ); nível estrutural (
B e B’ ); nível operacional ( C e C’ ), os quais
pelo espelhamento entre emissor / receptor desdobram-se em seis
vetores distintos:
No nível mental :
• A = idealização, elaboração
mental da mensagem;
• A’ = avaliação,
interpretação da mensagem;
No nível estrutural:
• B = codificação da mensagem;
• B’ = decodificação
da mensagem;
No nível operacional
• C = transmissão da mensagem;
• C’ = recepção da
mensagem;
Dessa maneira podemos inferir através da semiologia
quais os elementos da comunicação que impactam mais
fortemente em cada um dos 3 (três) níveis permitindo
assim ações pontuais preventivas com objetivo de eliminar
ou atenuar possíveis viés aumentando a eficácia
da mensagem enviada.
Mensagem essa que na propaganda
médica tem a função de, através da informação
precisa, prover a manutenção ou a alteração
do hábito prescritivo dos médicos visitados.
Vamos dar uma olhada nos elementos
da comunicação e sua influência em cada nível:
• No primeiro nível ( mental ) há
uma grande influência do conteúdo que nos remete
à criatividade, pois é nele que a mensagem sera
elaborada pelo emissor e analisada pelo receptor. Para que consigamos
acessar o nível da criatividade precisamos conhecer profundamente
o tema sobre o qual queremos comunicar. Assim fica claro a importância
dos estudos de produtos, dos treinamentos, do conhecimento dos
concorrentes e do conhecimento do mercado, pois quanto mais dominarmos
um assunto mais nos tornamos criativos a respeito do mesmo.
• No segundo nível ( estrutural ) o impacto é
dado pelo código, pois a mensagem que foi elaborada mentalmente
precisa agora ser codificada para poder vir a ser transmitida.
Todos sabemos que temos um conjunto de códigos mais ou
menos apropriados em função da mídia que
utilizaremos. No caso da propaganda médica temos a “mídia
humana” atuando fortemente centrada no código verbal,
gestual e icônico, associada a “mídia papel”
representada pelos folhetos promocionais direcionados para o código
escrito, gráfico e figurativo. Ambas ( áudio &
visual ) necessitam estarem apoiadas no código correto,
ou seja, no jargão médico de cada especialidade
e segmento para evitarem viés na codificação
do emissor e na decodificação do receptor.
• E por último, mas não menos
importante, o nível operacional onde será realizada
a transmissão e a recepção da mensagem. Assim
temos a sintonia como o elemento da comunicação
mais impactante, pois, a sintonia do receptor é essencial
para a maior ou menor eficácia da mensagem. Eficácia
que pode ser afetada ainda pela existência do elemento ruído.
Entendendo-se como ruído o conceito ampliado de ser qualquer
coisa ou fato que atrapalhe, que interfira no canal de comunicação.
Desde a intromissão inesperada de um telefonema no meio
da propaganda médica até a impaciência de
um médico em recebê-la.
Fica explícito portanto que o aumento
da eficácia em nossa comunicação junto aos
médicos é diretamente proporcional à quantidade
de viés que conseguimos eliminar em cada nível.
O antídoto para isso, felizmente, é
a utilização planejada de um outro elemento da comunicação:
a redundância. É ela que tem a função
de garantir a recepção adequada de uma mensagem (
não é por isso que batemos em uma porta repetidas
vezes? ).
É justamente por isso que realizamos
as simuladas exaustivamente.
É justamente por isso que checamos o conhecimento das equipes
exaustivamente.
É justamente por isso que visitamos nosso painel médico
repetidas vezes.
É justamente por isso... alguem por acaso remeteu-se ao conceito
de “freqüência & seqüência”
?
Fica claro então que a proporção
correta devera ser:
“frequência, frequência, frequência &
seqüência”.
(*) Cássio Rossetti é professor de Marketing e Gerenciamento
da Qualidade no Pós Graduação da UMC e diretor
da Rossetti Mk Sales Reps
Veja
comentário do autor sobre o artigo (03:38):
|