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Entrevista

Segmento Ótico: O impacto do luxo

Presente no Brasil desde 1999, o Grupo Safilo, que conta atualmente com um faturamento global de 1,15 bilhões ao ano, trouxe ao País inicialmente as grifes Dior, Gucci, Max Mara, Carrera e Safilo. Nos anos seguintes, o número de marcas comercializadas pela companhia aumentou bastante. Hoje, chega a mais de 30.

"O brasileiro é muito exigente e busca óculos de alta qualidade e beleza aliados às tendências de moda internacionais", analisa Renis Gabriel Filho, CEO da Safilo no Brasil.

Em entrevista exclusiva ao Top Team, o executivo defende que o Brasil tem um grande potencial e que a estratégia não sofrerá alterações, mesmo após a companhia ser adquirida pela Halland.

A Safilo conta atualmente no Brasil com uma estrutura comercial formada por cinco empresas, que possuem atuação regional agindo como consultoras e gestoras de negócios.

"Com este formato comercial, adotado desde 2003, conseguimos levar simultaneamente todas as coleções aos nossos clientes, o que gerou uma venda mais planejada para o lojista e o aumento da participação de marcas menos expressivas. Como resultado, conseguimos dobrar o faturamento da empresa", destaca o executivo.

Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista:

Top Team: O Brasil tem um grande potencial para o mercado ótico no segmento de luxo?
Renis Gabriel Filho: O potencial é enorme e ainda pouco explorado. A crise mundial ocorrida no final de 2008 e que se estende até os dias de hoje motivou o surgimento de um novo padrão de consumo, mais comedido, porém ainda luxuoso.

Top Team: Este novo padrão se encaixa no perfil do brasileiro?
Renis Gabriel Filho: Com certeza. Acredito que este novo padrão se enquadra muito bem no perfil do brasileiro, que peculiarmente gosta de consumir luxo, mesmo que seja em 10 vezes no cartão de crédito ou cheque pré-datado. Há de se comentar que os esforços governamentais para aumentar a renda média do povo brasileiro, que tem beneficiado sobremaneira as classes C e D, mas que também motiva melhoria em escala menor nas classes B e A, são fatores de sucesso para o mercado de luxo no Brasil.

Top Team: Como você avalia a entrada de novos players no mercado?
Renis Gabriel Filho: Certamente é muito positivo, pois profissionaliza o mercado. Com a entrada de grandes redes óticas, o setor aumenta a sua força e todos ganham com isso.

Top Team: Após ser adquirida pela Halland, a Safilo está adotando uma nova estratégia?
Renis Gabriel Filho: A estratégia permanece a mesma. A Halland é uma importante acionista do grupo, mas a linha que seguimos não sofreu alteração.

Top Team: Como o Brasil se situa no cenário de luxo em relação aos demais países da America Latina?
Renis Gabriel Filho: Estamos bem. Temos vizinhos que historicamente estão mais "acostumados" em vender luxo, como é o caso da Argentina e o México, mas que hoje sofrem por erros cometidos no passado. Já o Brasil se posiciona como um país de vanguarda e de extremo potencial. Obviamente a carga tributária ainda é uma barreira de entrada, mas contando com operações bem estruturadas, é possível ser competitivo no Brasil e obter sucesso vendendo luxo no País.

Top Team: Para finalizar, quais são os próximos desafios da Safilo no Brasil?
Renis Gabriel Filho: A Safilo é uma empresa de vanguarda e tem olhado para o mercado brasileiro com muito interesse. Nossa operação no Brasil já representa mais de 60% do volume de vendas na América Latina, e o objetivo até 2013 é duplicar a operação em toda a América Latina. Temos a certeza de que podemos contribuir muito para o alcance deste objetivo.


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