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Entrevista

“O Brasil tem se tornado um celeiro de estudo clínico”

 

O sino da Biogen Idec Brasil, em São Paulo, tocou, no final do ano passado, para anunciar que a empresa teria, a partir daquele momento, total controle sobre a comercialização do Avonex, produto para esclerose múltipla fabricado pela Biogen Idec e que era comercializado pelo Abbott. “A empresa tem como cultura tocar o sino toda vez que há ótimas novidades. É uma forma de avisar a todos os colaboradores”, explicou Wellington Briques, presidente da Biogen Idec Brasil, em conversa com o repórter do Top Team.

Com passagens pela Aventis, BMS, Wyeth e Dr. Reddy´s, nas áreas médica, marketing, operações e global, o executivo foi contratado, em 2006, para implementar a Biogen Idec no Brasil. “Implementar uma empresa é uma tarefa complexa, mas é muito gostosa”, revela.

Em conversa com o Top Team , Briques comentou sobre esse assunto e também sobre as estratégias adotadas para comercializar o Avonex e sobre as expectativas para 2008. Acompanhe:

Top Team: A Biogen entrou no Brasil em 2007. Houve algum motivo especial?

Wellington Briques: Em 2006, o executive board da Biogen decidiu pelo crescimento da empresa. Para crescer, há dois caminhos: organicamente, ao comprar outras empresas, ou geograficamente. Foi decidido entrar na América Latina e escolheram o Brasil, pela importância do país e também pelo fato do contrato da Biogen com a Abbott vencer em novembro de 2007, quando teríamos total controle da comercialização do Avonex. No final de 2006, eu fui contratado para implementar a empresa no Brasil.

Top Team: Após ser contratado, quais foram as suas principais dificuldades?

Wellington Briques: Implementar uma empresa é uma tarefa complexa, mas é muito gostosa. Se você gosta de quebrar pedra, você se saí muito bem. A principal dificuldade foi encontrar pessoas que estão no momento certo da carreira, que tenham um espírito empreendedor, que falem inglês fluente e que tenham conhecimento da área. Isso me fez trazer pessoas de outros ramos, completamente diferentes da indústria farmacêutica . O meu gerente de supply, por exemplo, vem da área de impressoras e a minha gerente financeira vem da área de bancos. Dessa forma, eu trouxe novas idéias para a empresa e novas formas de executar as tarefas.O resultado foi excelente!

Top Team: De quanto será o investimento da Biogen Idec no Brasil?

Wellington Briques: Será de U$ 22 milhões nos próximos cinco anos. No ano passado, o foco foi montar a estrutura, trazer as pessoas certas, organizar a força de vendas e ter todo o aparato necessário para dar suporte ao Avonex, à força de vendas, aos médicos e aos pacientes. Em novembro de 2007, o foco mudou e passou a ser a promoção e o aumento da demanda do medicamento. Em 2008, vamos focar no aumento do marketing-share do Avonex e no lançamento de um outro medicamento.

Top Team: Qual?

Wellington Briques: O Tysabre, uma medicação para esclerose múltipla, que apresenta um resultado clínico muito melhor do que os concorrentes e vai quebrar muitos paradigmas no tratamento da EM. Devo ter também mais um lançamento em 2009, na área de EM, e, depois em 2011, vamos colocar no mercado algumas drogas de oncologia. Mas, meu objetivo é que a filial brasileira da Biogen fature US$ 50 milhões em 2011, somente com as vendas do Avonex e do Tysabre.

Top Team: Um outro medicamento, o MabThera, é desenvolvido pela Biogen Idec e comercializado, no Brasil, pela Roche. Você tem planos de comercializar esse medicamento?

Wellington Briques: Existe um acordo global entre as duas empresas e eu não tenho perspectiva de comercializar esse medicamento no Brasil.

Top Team: Na sua opinião, há muitas restrições para se lançar medicamentos no Brasil?

Wellington Briques: As restrições regulatórias são tantas quanto em países desenvolvidos, ás vezes até mais. Uma barreira regulatória que existe no Brasil é o tempo para se aprovar. Você entra com o dossiê e não sabe quando vai sair. Você espera que saía em um ano, mas pode ser em dois ou três, como pode ser mais rápido. O estabelecimento de preço é uma outra barreira. Dessa forma, algumas empresas vêm para o Brasil e decidem não lançar o medicamento.

Top Team: Qual as suas expectativas para o mercado farmacêutico em 2008?

Wellington Briques: É muito difícil prever alguma coisa, principalmente com os preços que continuam controlados. O Cap (Coeficiente de Adequação de Preços) está afetando muito os negócios farmacêuticos, não só das indústrias farmacêuticas que estão no Brasil, mas de toda a cadeia. É muito difícil prever o que vai acontecer. Mas, dá pra dizer que algumas áreas da indústria vão ter um aspecto muito positivo. Uma delas é a área de estudo clínico. O Brasil tem se tornado um celeiro de estudo clínico para o mundo.

 

Ação social

A Biogen Idec apoiou a Mostra Internacional da Revolução Genômica, realizada durante o mês de fevereiro. Esta foi a primeira iniciativa da empresa em ações sociais e parcerias culturais.

“Decidimos apoiar a exposição, pois ela trata de temas com os quais convivemos diariamente na empresa, como, por exemplo, transformar descobertas científicas em avanços e cuidados da saúde”, disse Wellington Briques, diretor geral da Biogen Idec no Brasil, em nota enviada à imprensa.

 

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