
Os números impressionam. Em apenas
35 anos de existência, o Cristália inaugurou
três fábricas, e desenvolveu, aproximadamente,
180 produtos em 395 apresentações. Por trás
desses resultados, estão executivos de renome, entre
eles Philippe Boutaud, diretor geral do Cristália.
Sorridente e bem humorado, como se estivesse
comemorando a façanha, Boutaud recebeu o repórter
e fotógrafo do Top Team para uma conversa na sede do
Cristália, em São Paulo.
Durante quase uma hora, o executivo analisou
as conquistas da empresa, apresentou as metas do Cristália
para 2007 e fez uma análise positiva sobre os genéricos.
“Hoje, esse tipo de produto não representa mais
do que 5% de nosso faturamento. Mas, tenho uma boa perspectiva.
Nos próximos cinco anos, vamos ter uma fase de expansão
dos genéricos”. Confira a seguir os principais
trechos da entrevista:
Top Team: Entre as missões
do Cristália, está o estimulo á pesquisa
nacional. O que foi feito pela empresa durante esses 35 anos
de existência?
Philippe Boutaud: A pesquisa está
no DNA do Cristália, que surgiu de uma parceria feita
por alguns amigos. Eles compraram uma clínica psiquiátrica,
em Itapira. Lá, eram utilizados alguns medicamentos
para os pacientes. Mais tarde, em uma outra etapa, os sócios
decidiram produzir esses remédios E assim foi feito.
A clínica era pequena, a máquina produzia mais
do que o necessário e decidiu-se, então, vender
o excedente para os laboratórios próximos. Dessa
forma, surgiu o Cristália, que, ao longo dos anos,
foi crescendo. Em uma outra etapa, criamos a Farmoquimica.
Ela produz, atualmente, quase que a totalidade dos epiais
que são utilizados por nossos medicamentos. Contamos
com uma equipe de cem pesquisadores e desenvolvemos medicamentos
diferenciados, que estejam sujeito a patente.
Top Team: Você pode citar um exemplo?
Philippe Boutaud: Claro.
Um exemplo é o Eleva, medicamento para disfunção
erétil que lançamos recentemente. Ele é
resultado de mais de oito anos de pesquisas realizadas dentro
de nosso laboratório e sua molécula está
sendo patenteada nos Estados Unidos, Europa e Brasil. O Helleva
é o primeiro medicamento erétil produzido no
Brasil com sais e patente brasileira. Podemos perceber que
a diferença do Cristália para os demais laboratórios
brasileiros é que nós somos mais inovadores,
devido á existência do Cristália na estrutura
farmoquimica e pela sua vocação em desenvolvimento
de moléculas e de epiais. Basicamente, é isso
que faz do Cristália uma empresa bem vista dentro do
mercado brasileiro.
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Top
Team: O governo incentiva esse tipo de pesquisa?
Existe um programa efetivo?
Philippe Boutaud: O governo definiu, recentemente,
as suas áreas de prioridade. Entre elas, está
a farmacêutica. Começamos, então, a notar
que existe uma movimentação muito grande do
governo para que se fomente o desenvolvimento de pesquisa
interna no Brasil. Eu cito dois exemplos: a medida provisória
do bem, que permite incentivos fiscais, e o apoio de organizações
como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Dentro
deste contexto, o Cristália tem uma característica
bem interessante. Ele trabalha juntamente com associações
e universidades para o desenvolvimento de novos produtos e
novas moléculas. Nós acreditamos que no Brasil
não falta criatividade, e sim suporte para o desenvolvimento
de novas moléculas.
Top Team: Parte desses novos produtos
serão exportados?
Philippe Boutaud: O Cristália exporta
atualmente para mais de 30 países, principalmente os
da América Latina. Temos planos de levar nossos produtos
para a Europa e Estados Unidos, dando origem ao que chamamos
de multinacional brasileira.
Top Team: Uma outra missão do
Cristália é ousar sem abrir mão da ética.
Na sua opinião, ética e quebra de patente estão
relacionadas?
Philippe Boutaud: Não, são
completamente diferentes. A quebra de patente é um
procedimento que é formalizado. O fundamento básico
da indústria farmacêutica é a preservação
da saúde e da vida humana. Portanto, está ligado
com a ética. No ponto de vista de desenvolvimento de
mercado, nós temos que olhar a patente e a ética
conforme a lei. Existem leis que devem ser respeitadas por
todos que compõem a indústria farmacêutica.
O Cristália sempre trabalhou de forma correta. Não
temos problemas em relação a quebra de patente.
Esse assunto é muito mais vinculado ao governo e ao
judiciário. Agora, eu sei que é muito difícil
para alguns laboratórios verem outras empresas pequenas,
teoricamente sem muito futuro, começarem a se devolver
dentro do parâmetro da lei e da ética.
Top Team: Em 2001, o Cristália
anunciou seu ingresso na produção de genérico.
O que já foi feito pela empresa e o que ela pretende
apresentar ao mercado nos próximos anos?
Philippe Boutaud: A motivação
governamental para o genérico é extremamente
válida no sentido de que o governo procura oferecer
medicamentos de qualidade a um preço mais accessível
para a população. O genérico é,
no mínimo, 35% mais barato do que o seu produto similar.
Mas, esse tipo de produto não é o foco do desenvolvimento
do Cristália. Nosso core business são os medicamentos
de marca e com moléculas diferenciadas. De modo geral,
o genérico é um produto tático dentro
da nossa linha e não representa mais do que 5% de nosso
faturamento. Vejo uma boa perspectiva para esse tipo de produto.
Nos próximos cinco anos, vamos ter uma fase de expansão
dos genéricos.
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