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Edwards Lifesciences no coração do mundo
Faz 50 anos que Miles Edwards, um engenheiro aposentado, insistiu em uma grande idéia e a apresentou a um jovem cirurgião. Nascia então, a Edwards Lifesciences, empresa de grande porte na área médica que iniciou sua trilha na criação da primeira válvula cardíaca.
A Edwards fatura mais de um bilhão de dólares por ano e tem cerca de 12% do faturamento investido em pesquisas e desenvolvimento sendo hoje uma das maiores fabricantes e criadoras de tecnologia na área médica e hospitalar, espalhando-se por países de todo o mundo.
Há 20 anos no Brasil, onde está instalada a matriz para a América Latina, na qual atua na maioria dos países, a presidência dessa empresa gigante em terras latinas é função do biomédico Fernando Jorio, nosso entrevistado do Top Team nessa edição.
Boa leitura!
Top Team: Qual a importância da Edwards no Brasil?
Fernando Jorio: A Edwards é líder mundial na área de válvulas cardíacas, presente em mais de cem países, com faturamento acima de um bilhão de dólares. Possui estrutura na Europa, Japão, EUA e América Latina. A matriz da América Latina fica aqui no Brasil onde está todo time de liderança. A Edwards tem uma atenção toda especial para a América Latina que cresce em torno de 20% ao ano.
Top Team: Então a porcentagem de faturamento do Brasil para a Edwards já é importante?
Fernando Jorio: Sim, é bem significativo, e não só o faturamento (que é um faturamento expressivo), mas também, o fato do crescimento, por que é um negócio que vem crescendo muito dentro da área de saúde e a Edwards tem uma grande participação na área de válvulas cardíacas (nós somos líderes aqui no Brasil também). Além disso, há a parte de monitoração hemodinâmica com produtos que são de cuidados críticos voltados para a UTI, que é uma área de grande crescimento para nós. A Edwards fatura por volta de 30 milhões de dólares na América Latina e o Brasil responde por mais de 50% desse faturamento.
Top Team: Quais são as expectativas para 2008?
Fernando Jorio: Temos grandes expectativas : a Edwards está investindo bastante em novos produtos, com grande sucesso junto aos cardiologistas, além disso lançamos uma nova válvula cardíaca, a Magna Easy que está tendo uma grande aceitação. Esses lançamentos bem sucedidos permitirão à Edwards fortalecer cada vez mais a operação na América Latina.
Top Team: Quais são os diferenciais entre uma válvula biológica em relação às mecânicas?
Fernando Jorio: A Edwards está focada nas válvulas biológicas, pois em termo de durabilidade, qualidade do produto e melhor aceitação clínica, a válvula biológica é muito melhor, e, o mais importante, quando você trabalha com uma válvula biológica, essa válvula tem uma durabilidade de aproximadamente 20 anos e mais, o paciente não tem que ficar tomando anti-coagulantes, enquanto a válvula mecânica tem durabilidade de aproximadamente 10 anos entre outras desvantagens.
Top Team:Vocês estarão adotando algumas estratégias diferenciadas nesse segundo semestre, principalmente em decorrência do concorrente ter aberto uma fábrica no interior de São Paulo?
Fernando Jorio: A Edwards tem investido bastante na operação do Brasil, reestruturamos e fortalecemos essa operação. Dividimos a operação por unidades de negócios, que são duas: HTV e CSS (válvulas cardíacas e cânulas ) e a outra unidade de negócios é a Critical Care, que são os produtos de cuidados críticos voltados pra UTI e área vascular que está junto; fizemos novas contratações e temos investido muito em capacitação, tanto junto aos nossos profissionais, os quais são constantemente enviados à matriz para atualizações, quanto junto aos cardiologistas. Fora isso, a Edwards está agilizando processo pra lançar novos produtos no mercado e está em um grande projeto mundial que é o de lançamento de uma nova tecnologia : a Válvula Transcateter, uma tecnologia totalmente inovadora. Essa válvula evita a abertura do peito do paciente. Ela é colocada de duas formas: através da artéria femural , ou, através da região apical fazendo uma incisão mínima, ou seja, é uma cirurgia inovadora que trás menos riscos ao paciente. Aqui no Brasil nós já iniciamos um trabalho junto à Anvisa, para podermos trazer essa tecnologia e colocar o país próximo à tecnologia dos países desenvolvidos.
Top Team: Falando em Anvisa, como você a vê no Brasil, alguns executivos se queixam, outros até preferem não comentar, mas, e você, o que acha?
Fernando Jorio: Eu comento de uma forma tranqüila, eu acho que a Anvisa conseguiu trazer muitos benefícios à área de saúde, na área regulatória, e acho que o Brasil até precisa dessa seriedade, para ganhar credibilidade lá fora. Há sem dúvida melhorias a serem feitas, bem como necessidade de investimento maior pra poder ganhar agilidade nos processos burocráticos. A indústria tem o direito de estar sempre cobrando, mas por outro lado a indústria tem que entender que a Anvisa é necessária e muito importante, sem ela, produtos de má qualidade podem entrar no mercado, e isso nos comprometeria de alguma forma direta ou indireta.
Top Team:
Quais seriam, para você, as principais ameaças a Edwards
Fernando Jorio: A parte de reembolso governamental com nossos produtos. A Edwards espera que esse cenário melhore e consigamos uma maior utilização da tecnologia que hoje disponibilizamos pela população brasileira. Outra preocupação esta relacionada no tocante a existir uma concorrência sadia dentro do mercado, que não tenha produtos causadores de danos ao próprio mercado de saúde bem como à saúde humana o que pode indiretamente nos afetar. Mas nos preocupa mesmo, a verba destinada à saúde. A Edwards se preocupa com isso, pois precisamos melhorar o sistema de saúde, atender mais a população das camadas mais baixas, poder trazer mais produtos nessa área , sendo que para isso obviamente o ministério da saúde terá que melhorar o reembolso do SUS e de todo esse sistema.
Top Team:
Expectativas para o futuro da Edwards ?
Fernando Jorio: A Edwards é uma empresa que trabalha muito com inovação, tecnologia, e vem focando muito nos últimos anos dentro do segmento de cardiologia, de anestesia e cuidados críticos. Investimos hoje 12% do faturamento anual e mundial em desenvolvimento e pesquisa, já estamos colhendo os frutos disso e nossa expectativa é alcançarmos grandes resultados revolucionando a área cardíaca no mundo.
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