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"Os consumidores
deveriam dar à indústria farmacêutica ao menos
o benefício da dúvida”
Por Marcos Lobo de Freitas Levy*
A população, e muitos
profissionais da área da saúde desconhecem o longo,
tortuoso, incerto e dispendioso caminho da pesquisa e desenvolvimento
de um novo medicamento. Caminho este, aliás, que torna a
indústria farmacêutica que se dedica à pesquisa
e ao desenvolvimento de novos medicamentos, um dos negócios
de maior risco no mundo.
De fato, estudos desenvolvidos pelo instituto independente Tufts
Center For the Study of Drug Development, da Universidade Tufts,
localizada no Estado de Massachussets, nos Estados Unidos da América,
publicados em 2003, indicam que o custo médio de desenvolvimento
de um único medicamento é de cerca de US$ 900 milhões,
levando uma média de dez anos entre a sua descoberta e a
sua possível comercialização. Mais que isto,
o estudo revela que de cada oito mil possíveis medicamentos
pesquisados, apenas um chega ao mercado.
Não é por outra razão que a Federação
Internacional dos Fabricantes de Medicamentos comprometidos com
Pesquisa e Desenvolvimento – IFPMA informa que já durante
o ano de 2002, as empresas a ela associadas, investiram em pesquisa
e desenvolvimento mais de 45 bilhões de dólares.
Pelo que os estudos indicaram, fica fácil de entender porque
tantas empresas farmacêuticas de pesquisa ou foram adquiridas
por outras ou passaram por processos de fusão e incorporação.
Entretanto, todos estes dados não são vistos ou conhecidos
pelo consumidor de medicamentos ou, em diversos casos, mesmo por
profissionais da área da saúde. O que as pessoas vêem
é um pequeno, às vezes minúsculo comprimido
ou cápsula que não aparenta explicação
razoável para o preço por ele cobrado, seja este preço
qual for.
Aí está a grande falha da indústria farmacêutica.
Ela começou muito tarde e, em certos lugares sequer começou,
a educar seu público-alvo sobre a sua importância.
Este processo educacional é, necessariamente, sempre contínuo
e de longo prazo e não deve ser realizado apenas quando a
sociedade reclama ou acusa a indústria de aproveitar-se do
mal alheio, cobrando preços absurdos ou abusivos por seus
produtos.
O consumidor para o qual o médico diagnosticou alguma enfermidade,
por mais simples ou corriqueira que seja, não está
com o estado de espírito apropriado para entender longas
explicações sobre as justificativas para os preços
dos medicamentos que precisa comprar, por mais que mantenha no sub-consciente
a noção de que aquele produto pode fazê-lo sentir-se
melhor, curá-lo ou em alguns casos, até salvar sua
vida.
A verdade é que só nos últimos anos a indústria
percebeu que precisava se comunicar com o consumidor e tem procurado
fazê-lo. Acredito que, em lugar de aceitar rapidamente, conceitos
errôneos dos que semeiam a cizânia na procura de benefícios
para si mesmos, os consumidores deveriam dar à indústria
farmacêutica ao menos o benefício da dúvida.
Tenho certeza que mentes desarmadas de preconceitos certamente entenderão
melhor o verdadeiro papel da indústria farmacêutica
e sua importância, dando a ela finalmente, um julgamento justo.
(*)Lobo de Freitas Levy, ex- diretor da Boehringer
Ingelheim do Brasil e da Merck, Sharp & Dohme, é atualmente
sócio do A. Lopes Muniz Advogados Associados.
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