“O remédio fracionado
é uma medida política”
Top Team:
Vamos falar de um tema que está
muito em voga: a criação das farmácias populares.
Isso é bom ou ruim para os laboratórios e farmácias?
Pedro Zidoi: É
bom para todos: governo, indústria e comércio farmacêutico.
Mas, o governo entregou um presente inacabado para nós. Deram
apenas os medicamentos para a hipertensão e diabetes. Isso
tem que ser estendido para as demais doenças, solucionando
o problema de saúde em nosso país. Algumas farmácias
populares estão satisfeitas, outras têm reclamado do
atraso do pagamento do governo.
Top Team: Sabe-se que, no Brasil, há aproximadamente
3.850 habitantes por farmácia. Esse é o número
ideal?
Pedro Zidoi: Não,
eu gostaria que fosse 10.000 habitantes por farmácia. E quando
dizem que existe farmácia demais no Brasil, eu digo: “parabéns,
eu também concordo. Feche todas aquelas que estão
do lado da minha”. (risos). Se compararmos com alguns países
do mundo, vamos perceber que no Equador há 1.200 habitantes
por farmácia e na Noruega esse índice é de,
aproximadamente, 10.000, pois o medicamento é dado pelo governo.
Top Team: Atualmente, tem-se discutido muito sobre
o remédio fracionado. Ele é realmente a solução
para a melhora na saúde do povo brasileiro?
Pedro Zidoi: Eu
não vejo o remédio fracionado como solução.
Trata-se de uma medida política, que, para ser implementada,
requer investimento da indústria em propaganda médica.
Se os médicos prescrevem e o consumidor compra, a farmácia
certamente terá interesse em ter o produto. Afinal, ninguém
é bobo para deixar de ter um medicamento que o cliente deseja.
Essa história de que as farmácias não querem
trabalhar com remédio fracionado é conversa de quem
não entende a situação. Veja só: se
eu comprar um determinado remédio e ele vencer, eu tenho
que jogar fora porque a indústria não recebe a mercadoria
de volta.
Top Team: Durante a entrevista, o senhor disse
que a indústria farmacêutica não tem contato
direto com as farmácias. O senhor pode explicar melhor?
Pedro Zidoi: Eu
falei também que algumas indústrias já estão
enviando propagandistas para visitar farmácias, informar
sobre as últimas novidades, extrair pedido e levá-lo
para a distribuidora. Então, eu acho que a indústria
farmacêutica está tentando reverter esse quadro. Mas,
ela não pode visitar todas as farmácias. Então,
ela precisa utilizar a Revista ABC Farma, colocando um anúncio.
Top Team: Para terminar, se o senhor fosse dar
um recado para o governo, qual seria?
Pedro Zidoi: O
governo nunca cria uma lei para perder dinheiro. Ele apresentou,
em 2004, a reforma tributária e já está retirando.
O povo se engana ao acreditar que o governo coloca alguma lei para
diminuir impostos.
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