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Entrevista

“O Brasil é um mercado muito importante”


Com três lançamentos previstos para 2008, dois por conta própria e um em parceria com outro laboratório, a Shire, que inaugurou suas atividades no Brasil em 2007, anuncia investimento em pesquisas clínicas, educação médica, força de vendas e marketing. “A educação médica continuada é uma das principais ferramentas que serão utilizadas pela Shire, além de estudos clínicos realizados no Brasil e publicação de trabalhos científicos”, revela Roberto Marques, presidente da empresa no Brasil.

 

Marques não descarta a hipótese da Shire, que fez sete aquisições nos últimos dez anos, adquirir algum laboratório brasileiro. “Pretendemos analisar as oportunidades de negócios no Brasil que se apresentarem e estiverem dentro de nossa estratégia global, inclusive utilizando uma verba especial do BNDES para área de biotecnologia”, disse ele, com exclusividade para o Top Team. Acompanhe a seguir: 

 

 

 

Top Team: Por que a Shire decidiu inaugurar sua operação no Brasil?

 

Roberto Marques: O Brasil é um mercado muito importante para os vários segmentos da industria e não seria diferente com a farmacêutica. A necessidade e demanda com saúde em um país de quase 200 milhões de habitantes fizeram com que a Shire, dentro de um programa de expansão geográfica, tratasse com prioridade o estabelecimento de sua subsidiária no Brasil.

 

 

Top Team: Depois que você assumiu a presidência da empresa, quais têm sido seus principais desafios?

 

Roberto Marques: Além da consolidação dos negócios da Shire no Brasil em um ambiente onde o atendimento à saúde é ainda bastante carente e conta com investimentos insufucientes principalmente do setor público, pretendemos ajudar a estabelecer no país uma política específica para o diagnóstico e tratamento de doenças raras, em especial as genéticas, que são comumente negligenciadas.

 

 

Top Team: Quais estratégias serão utilizadas?

 

Roberto Marques: A Shire HGT trabalha na pesquisa e no desenvolvimento de medicamentos para doenças genéticas raras, algumas sem tratamento disponível. Desta maneira, por serem patologias raras, a primeira necessidade é fazer o nosso público conhecer melhor essas doenças e aumentar o diagnóstico em todo o Brasil. A educação médica continuada é uma das principais ferramentas de marketing que serão utilizadas pela Shire, na produção de material médico especializado, com eventos própios e junto às várias sociedades médicas brasileiras, além de estudos clínicos realizados no Brasil e publicação de trabalhos científicos.

 

 

Top Team: De quanto será o investimento da Shire? 

 

Roberto Marques: Em números gerais, a Shire deve investir nos próximos anos cerca de US$ 20 milhões. Neste total, estão incluídos investimentos em marketing, pesquisas clínicas, educação médica e força de vendas, entre outros.

 

 

Top Team: Há previsão de lançamentos já para 2008?

 

Roberto Marques: Sim, devemos lançar em 2008 dois produtos: Elaprase e Replagal.  Estes dois importantes medicamentos foram desenvolvidos pela Shire HGT para tratar respectivamente a Síndrome de Hunter e a doença de Fabry. Gostaria de ressaltar que a Shire conduziu o maior estudo do mundo para uma doença genética em número de pacientes, incluindo 18 brasileiros, que participaram da Fase III da pesquisa do Elaprase, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Também devemos lançar um produto para pacientes renais em hemodiálise que necessitam controlar os níveis de fósforo, através de uma parceria com um laboratório farmacêutico local.

 

 

Top Team: Qual o faturamento anual da Shire na Inglaterra e qual a previsão para o Brasil?

 

Roberto Marques: O faturamento global da companhia Shire plc, em 2006, foi de US$ 1,796 bilhão e o investimento em pesquisa e desenvolvimento foi de US$ 386,9 milhões, 14% maior em relação a 2005. Hoje, a Shire é a terceira maior biofarmacêutica da Inglaterra. No Brasil, o nosso faturamento em 2008 dependerá de quando vamos iniciar a comercialização dos referidos produtos, dependendo da aprovação de seus registros pela Anvisa.

 

 

Top Team: Nos últimos dez anos, a Shire fez sete aquisições. Está nos planos da empresa adquirir algum laboratório brasileiro?

 

Roberto Marques: Pretendemos analisar as oportunidades de negócios no Brasil que se apresentarem e estiverem dentro de nossa estratégia global, inclusive utilizando uma verba especial do BNDES para área de biotecnologia. O desenvolvimento e produção de produtos biofarmacêuticos no Brasil ainda é uma promessa, pois se encontra em um estágio mais inicial, porém contamos com centros de excelência em pesquisa no país, além de pesquisadores de altíssimo nível, o que nos anima muito em relação ao futuro da Shire aqui.

 



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