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Medicina & Marketing
Americanos cortam comprimidos para reduzir o custo do tratamento

Por Dr. Augusto Pimazoni Netto*

Sem a menor sombra de dúvidas, as novas descobertas terapêuticas disponibilizadas nos últimos vinte anos contribuíram decisivamente para minorar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida da população como um todo, principalmente dos portadores de doenças crônico-degenerativas, como o diabetes, a hipertensão, os distúrbios do colesterol e muitas outras.

O grande problema é que o progresso terapêutico tem um preço cada vez mais alto. O custo de pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos vem subindo progressivamente, o que tem um impacto direto no custo final do medicamento. Em conseqüência disso, as novas opções terapêuticas ficam cada vez mais distantes da capacidade de pagamento dos pacientes, principalmente daqueles cuja doença exige tratamento pelo resto da vida e não apenas durante um determinado período de enfermidade aguda.

O problema dos custos crescentes dos novos medicamentos não é exclusivo dos países economicamente menos desenvolvidos mas, sim, é um problema mundial, atingindo inclusive os países de primeiro mundo. Uma pesquisa conduzida pela Harvard Scholl of Public Health, pela Kaiser Family Foundation e pelo jornal USA Today mostra que nada menos que 40% dos americanos encontram sérias dificuldades em enfrentar os custos do tratamento farmacológico. Por essa razão, eles também não obedecem as prescrições, não aderem às recomendações terapêuticas e chegam ao cúmulo de cortar os comprimidos pela metade com o objetivo de reduzir o custo do tratamento, mesmo reconhecendo que essa conduta é medicamente condenável.

Esse comportamento atinge principalmente os pacientes cujos planos de saúde não prevêem assistência farmacêutica (52% das respostas), os que pertencem a famílias de mais baixa renda (54% das respostas) ou os que precisam tratar-se regularmente com 4 ou mais medicamentos. Note-se que esta última situação reflete exatamente o que acontece com portadores de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e distúrbios do colesterol, principalmente no caso de pacientes idosos.

Numa avaliação geral, os 1.695 adultos incluídos na pesquisa têm opiniões conflitantes a respeito da indústria farmacêutica, com 47% deles apresentando uma visão favorável e 44% com uma visão desfavorável do setor.

Na verdade, parece que o problema do custo mais alto das novas opções terapêuticas é uma realidade atual, com mínimas perspectivas de solução, mormente tendo em vista o custo de pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos. No Brasil, algumas empresas farmacêuticas desenvolveram estratégias de fidelização de pacientes, com reduções de preços de até 50%, principalmente nos medicamentos de utilização contínua por portadores de patologias crônicas.

(*) Dr. Augusto Pimazoni Netto é médico formado pela USP, com especialização nos Estados Unidos e com curso de Administração de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP). Tem uma experiência de 30 anos junto à indústria farmacêutica em cargos de Gerência/Diretoria Médica e de Marketing. É Diretor Presidente da MED MARK Consultoria Médica Empresarial Ltda. Contato: pimazoni@uol.com.br ou (11) 5572-4432.

Referência bibliográfica:


"Four in 10 Americans Say They Have Trouble Paying for Drugs or Skip Prescriptions or Cut Pills Due to Cost". 2008 Releases - Harvard School of Publica Health. Artigo disponível em: http://www.hsph.harvard.edu/news/press-releases/2008-releases/poll-usa-today-kaiser-harvard-prescription-drugs.html. Acesso em: 25 de março de 2008.


 

 

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