Você concorda com a lei antifumo?
    Sim
    Não
    Votar
    resultado parcial...

 
 
 
 
 
Entrevista

DE OLHO NO BRASIL: Boiron inicia comercialização de medicamentos no país

Por Célia Piovan

Empresa francesa, com sede em Lyon, as maiores unidades da Boiron, hoje, estão, além de na França, também Itália, Espanha, Estados Unidos, Canadá, Rússia e Polônia. Conforme o diretor Brasil, Ricardo Matos Ferreira, o foco, no momento, é o Brasil, país que ele afirma ser, sem dúvida, no futuro, um dos mais importantes para o grupo Boiron.

Nesta edição, Ricardo Ferreira fala sobre o início da comercialização dos medicamentos, que se deu em junho. Líder em medicamentos homeopáticos, a intenção é construir um portfolio com cerca de dois lançamentos por ano, para que, nos próximos cinco ou seis anos, tenha-se, aproximadamente, quinze especialidades no Brasil. Ele comenta, também, sobre a eficácia dos medicamentos, pesquisas clínicas e sobre a adesão por parte dos médicos e da população.

Top Team: Há quanto tempo a Boiron está instalada no Brasil e que tipo de operação desenvolve aqui?
Ricardo Ferreira: A Boiron está presente no Brasil desde 2005, mas o início da comercialização dos medicamentos deu-se apenas este ano, mais precisamente em junho. Foram quase quatro anos, em virtude das enormes burocracias e exigências sanitárias, mas que, de alguma forma, permitiram-nos estudar a fundo o mercado farmacêutico brasileiro e conhecer os hábitos e costumes de prescrição dos médicos, bem como os hábitos de consumo da população, relativamente a medicamentos, principalmente os isentos de prescrição.
Neste ano de lançamento, efetuamos uma parceria com a Pharmexx Brasil, para iniciar a visitação médica. Porém, nossos planos de desenvolvimento estão apenas no início. No próximo ano, estaremos ampliando a equipe, principalmente na área comercial e vendas, e deveremos terminar o ano de 2010 já com uma presença forte nos dois principais mercados, São Paulo e Rio de Janeiro. A nossa operação é exclusivamente comercial. No momento, todos os nossos medicamentos são importados das fábricas que possuímos na França (4) e na Bélgica (1).

TT: A Boiron é líder e referência em medicamentos homeopáticos? Quantos e para quais especialidades?
RF: A Boiron é uma empresa francesa, com sede em Lyon, e já com uma longa história. São mais de oitenta anos dedicados à homeopatia, à investigação e produção de medicamentos homeopáticos de uma forma mais abrangente e à divulgação da homeopatia junto à classe médica. A nossa missão é fazer com que cada médico no mundo integre a homeopatia em sua prática clínica e que veja nela uma opção terapêutica, eficaz e segura.
Acabamos de lançar no mercado brasileiro, em junho, nosso principal e melhor medicamento. O Oscillococcinum, indicado para prevenção e tratamento de estados gripais, que, no Brasil, é um medicamento de prescrição médica obrigatória (ao contrário da França e dos principais mercados mundiais, onde é OTC).
Em setembro, estaremos lançando o Sédatif PC, medicamento indicado para tratamento da ansiedade, nervosismo e estresse, um mercado bastante forte no Brasil e com um demanda muito forte por parte da população, em virtude do ritmo de vida acelerado das grandes cidades.
A nossa intenção é lançar, gradativamente, no Brasil, nossos medicamentos. Na França e em mais de sessenta países, onde estamos presentes, temos mais de duzentas e cinquenta especialidades homeopáticas. No Brasil, pretendemos construir o portfolio com cerca de dois lançamentos por ano, para que, nos próximos cinco ou seis anos, tenhamos, aproximadamente, quinze especialidades.

TT: Qual a eficácia dos produtos homeopáticos?
RF: Os medicamentos homeopáticos são muito eficazes. Vários são os estudos que comprovam a eficácia dos nossos medicamentos, nas mais variadas áreas terapêuticas e patologias. Por outro lado, também não podemos esquecer de que a homeopatia existe há mais de duzentos anos como terapêutica, sempre com resultados extraordinários e sem os efeitos colaterais, reações adversas e interações medicamentosas, sempre presentes na medicina alopática.

TT: A empresa investe em pesquisa clínica e estudos que demonstram resultados?
RF: Esse tem sido o nosso grande desafio e investimento nos últimos anos. Por um lado, pretendemos aprofundar o conhecimento e descobrir os mecanismos de ação das infinitas diluições, explicando os resultados experimentados por milhões de pacientes e os médicos deles e, por outro lado, demonstrar os efeitos terapêuticos e o interesse que a medicina homeopática assegura à saúde pública.
Desde 2005, lançamos mais de setenta e cinco estudos fármaco-epidemiológicos, médicos e clínicos em pesquisa fundamental (pesquisa sobre as bases da homeopatia, e não com fins terapêuticos), e em pesquisa clínica (com fins terapêuticos).
Aliás, a pesquisa clínica será uma área em que investiremos aqui no Brasil, com a realização de um ensaio clínico de grande escala, com um dos nossos medicamentos que deverá ter início ainda no final deste ano.

TT: Os médicos têm, cada vez mais, aderido aos homeopáticos ou não?
RF: Sim, cada vez mais, os médicos veem na homeopatia uma opção de tratamento segura e eficaz. Talvez, por dois motivos. Primeiro, por que os medicamentos alopáticos, cada vez mais, apresentam inúmeros e graves efeitos colaterais. Vários foram os casos de medicamentos e princípios ativos que foram retirados do mercado em todo o mundo devido a complicações para a saúde pública. Um outro motivo é a constante evolução do conhecimento em termos de homeopatia e de divulgação, precisamente dos inúmeros estudos que têm sido realizados nos últimos anos.
O médico sente uma maior necessidade de encontrar soluções seguras e eficazes para as diversas patologias e complicações. Isso gera uma experiência clínica com outras opções, seja homeopatia, seja fitoterapia, etc, e tem vivenciado na prática clínica diária esses excelentes resultados.

TT: Uma das estratégias de sucesso é a visitação médica, através dos profissionais da Pharmexx Brasil. Como vê esse trabalho?
RF: Como me referi no início, começamos um trabalho de visitação médica com a Pharmexx Brasil junto à classe médica em várias especialidades.
O desempenho da equipe tem sido fantástico. Conseguimos construir uma equipe ótima de propagandistas, jovens e bastante motivados, que tem pela frente uma missão um pouco diferenciada, pois não se trata apenas de mais um medicamento. Trata-se, sim, de um novo conceito, trata-se de quebrar paradigmas e fazer ver ao médico brasileiro que ele pode ter mais opções no tratamento de inúmeras patologias.
A Pharmexx, desde o início, tem acompanhado a nossa introdução no mercado. As primeiras reuniões ocorreram já há três anos e, de fato, o sucesso atual da equipe é resultado de todo um trabalho maravilhoso realizado por toda a equipe de gestores da Pharmexx. Eu diria que os pontos fortes são o acompanhamento em todas as etapas do projeto, mas, principalmente, o gerenciamento dos detalhes. Nada escapa! E o sucesso é feito de detalhes.
Hoje, iniciamos as nossas operações em São Paulo, mas temos um projeto de expansão geográfica no Brasil, já definido para os próximos anos. Já no começo do próximo ano, a Pharmexx terá mais um novo desafio, com a construção da equipe do Rio de Janeiro.

TT: Como a Boiron Brasil está encarando este ano de crise?
RF: A nossa situação é um pouco diferente, pois este é o ano de lançamento e de maior investimento para a filial brasileira. Em todo o caso, adequamos um pouco a nossa estratégia em função desse novo cenário. Conseguimos, sem afetar as previsões de crescimento, postergar alguns investimentos para o próximo ano e, assim, adotarmos uma postura mais preventiva. Em termos de grupo Boiron, o desempenho tem melhorado face a 2008, por conta dessas medidas preventivas.

TT: Mas a decisão de entrar no mercado brasileiro reflete, de alguma forma, a crise financeira que está afetando a Europa?
RF: Não, não reflete de todo. Na realidade, o Brasil sempre foi um desejo antigo para a Boiron. Posso dizer que faz mais de vinte anos, que todos os anos, alguém da Boiron desloca-se ao Brasil, frequenta congressos, fala com médicos formadores de opinião, acompanha a evolução sob o ponto-de-vista regulatório e sob o ponto-de-vista econômico e financeiro. Esses foram talvez os dois principais fatores que fizeram com que a presença da Boiron no Brasil não se desse mais cedo. Por um lado, a história recente do Brasil (últimos vinte/ trinta anos), sob o ponto-de-vista de atração econômica para investimento de empresas estrangeiras e, por outro, a falta de legislação para medicamentos homeopáticos. O Brasil evoluiu muito nos últimos dez/ quinze anos e, como tal, faz três anos que a Boiron considerou que tinha chegado o momento de ter uma presença mais forte no mercado brasileiro.

TT: Qual a posição do Brasil frente a outras unidades da Boiron no mundo?
RF: O Brasil será, sem dúvida, no futuro, um dos países mais importantes para o grupo Boiron. Hoje, as maiores unidades da Boiron, além da França, são a Itália, Espanha, Estados Unidos, Canadá, Rússia e Polônia.

TT: Quais os desafios e oportunidades da empresa neste ano?
RF: O desafio é enorme. Somos uma empresa "nova", apesar dos nossos mais de oitenta anos de história, que acabou de chegar ao mercado brasileiro. Acima de tudo, nosso grande desafio é o de construir um conceito. Temos um grande projeto pela frente em termos de mudança de mentalidades e quebra de paradigmas na utilização da homeopatia como opção terapêutica.
Existe uma forte demanda, não só pela classe médica por novas opções, mas, principalmente, pela população, que procura tratamentos eficazes, seguros e sem efeitos colaterais. O mercado é enorme, aberto, mas bastante competitivo.



Leia também....
Você já leu o Up Grade dessa edição? Então, Clique e leia

 

 

Imprimir Enviar esta página