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Entrevista

"A indústria tem que ser parceira do Estado"

Em 1996, quando era vice-presidente da Biosintética, Omilton Visconde Junior foi entrevistado pelo Top Team e profetizou: “haverá grandes mudanças em todos os sentidos da comunicação. O impacto da informática na propaganda, por exemplo, ainda não foi percebido e esse impacto é grande, quer via representante, quer via Internet”.

Hoje, mais de dez anos depois, Omilton é presidente do Sindusfarma (Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo), que congrega 110 empresas, responsáveis por 75% do faturamento da indústria farmacêutica em 2007. E, em nova entrevista ao Top Team, ele volta a falar de mudanças, mas dessa vez sobre redução na jornada de trabalho e fusões na indústria farmacêutica, que são cada vez mais comuns e ocorreram, inclusive, com a própria Biosintética, comprada pelo Aché em 2005.

Para você se preparar para essas e outras transformações significativas, que provavelmente serão muitas, Omilton dá um conselho: “o executivo tem que estar preparado para um mundo menos previsível, para uma economia muito mais rápida e para tomar decisões que jamais serão confortáveis”. Acompanhe:

Top Team: Um dos principais objetivos do Sindusfarma para 2008 é a busca de um novo posicionamento para a indústria farmacêutica. De que forma ele será concretizado?

Omilton Visconde Junior: No Brasil, especificamente, a indústria farmacêutica tem que ser parceira do Estado na formulação de políticas públicas eficientes e inteligentes, principalmente, para acesso a medicamento. O Estado não consegue suprir a demanda da sociedade no que diz respeito à assistência farmacêutica, pois os programas governamentais são insuficientes e esbarram na falta de capacidade de implementação. O setor privado é, então, um elemento importante para auxiliar o Estado nas formulações, já que temos capacidade instalada e fábricas. Esse posicionamento tem muito a ver com uma inserção do setor privado como um elemento importante para encontrarmos saídas inteligentes para a indústria farmacêutica.

Top Team: O Sidusfarma realiza programas de desenvolvimento e educação continuada. Para qual público eles são destinados?

Omilton Visconde Junior: Os programas são destinados aos profissionais de diferentes áreas que atuam na indústria farmacêutica e proporcionam aprimoramento e especialização em marketing, produção, recursos humanos e finanças, entre outras.

Top Team: As fusões na indústria farmacêutica impactam o sindicato?

Omilton Visconde Junior: Não, não há impacto. As fusões dentro da indústria são naturais, pois fazem parte do modelo farmacêutico e do ambiente econômico global. É um setor de capital intensivo, que tem que buscar escala. Dentro desse contexto, é absolutamente normal que a fusão aconteça.

Top Team: Como o executivo pode se preparar para a fusão?

Omilton Visconde Junior: A fusão parte de pressupostos econômicos, ou seja, só existe movimento de compra, fusão e aquisição quando há uma pressão econômica de mercado importante e relevante. O executivo tem que estar preparado para um mundo menos previsível, para uma economia muito mais rápida e para tomar decisões que jamais serão confortáveis. O mundo econômico e a indústria farmacêutica têm esse dinamismo.

Top Team: A jornada de trabalho na indústria vai sofrer alterações?

Omilton Visconde Junior: Foi estabelecida mais uma etapa da redução de jornada de trabalho, que passará a ser de 41 horas semanais a partir de 1º de janeiro de 2009; e de 40 horas semanais a partir de dezembro de 2009, sem redução salarial.

Top Team: Quais as expectativas do Sindusfarma para 2008?

Omilton Visconde Junior: Manter-se uma entidade sólida, continuar a permanente atenção sobre a legislação e regulamentação sanitária e contribuir para os órgãos governamentais no sentido de aperfeiçoar os mecanismos de regulamentação, entre outros.

Making off


A entrevista foi realizada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, durante evento em comemoração dos 75º anos do Sindusfarma.

 

     

 

Para saber mais...

 

Clique nas imagens abaixo e acesse o site do Sindusfarma para conferir algumas novidades:

 

Arquivo do Top Team

 

Frases da entrevista de Omilton Visconde Junior ao Top Team, em maio de 1996.

"Deverá haver uma reciclagem. Não do propagandista, mas, sim, do Marketing Farmacêutico."

"O propagandista ainda terá uma função preponderante na estratégia de comunicação."

"Devemos entender a expressão Marketing Farmacêutico em um sentido mais amplo, não apenas como marketing de vendas e marketing de promoção."



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