Por Luiz Antonio de Moura Accioly*
Reunião na diretoria, logo após o coffee break apareceu uma questão na mesa:
Por que o nosso produto está apresentando tantos casos de reações adversas?
Estoicamente, o Gerente de Produtos respondeu:
- No pré-operatório os médicos estão usando super dosagem, o que causa aumento da freqüência cardíaca.
Mal terminara de falar, o gerente de
marketing indagou:
- E qual a solução?
Treze segundos de silêncio e pelo menos quatro vozes foram ouvidas:
- Vamos redistribuir a tabela posológica.
- Aquilo não é tabela, aquilo é uma bíblia.
- O esquema é realmente complicado.
- O médico precisa de um esquema prático e seguro para poder utilizar o produto.
O Gerente Médico, até então calado, começou a falar da experiência ocorrida na Alemanha, onde foram distribuídos CD-Roms interativos contendo informações do produto, tais como doses recomendadas e cálculo automático max/min. Excelente idéia, disse alguém no outro lado da mesa. Um assistente (e sempre é um assistente que tem essa coragem ou displante) perguntou:
- Quantos CD-Rooms nós vamos distribuir? |
Para quantos médicos iremos entregar esta ferramenta? A reunião foi interrompida e outra foi logo marcada para ás 8 horas do dia seguinte. Todos levaram lição de casa.
Tema: o que fazer? As informações dentro de um laboratório, por mais estruturado que ele seja, são fragmentadas e nem sempre estão disponíveis de forma fácil. Quem tem a informação tem o poder.
Logo as pessoas detêm a informação como uma arma preciosa.
O propagandista, sem dúvida, é uma das pessoas que mais informações armazenam a respeito de seu cliente., mas nem sempre transmite todas ao laboratório.
O que acontece é que cada propagandista registra esta informação segundo seu conceito de importância e segundo as suas necessidade. Dificilmente, eles fazem isso de uma forma padronizada.
Uma vez mais vem à tona a questão. O que fazer? Os laboratórios devem primeiramente ter um banco de dados estruturados, realizarem treinamentos contínuos, apresentando técnicas para se capturar informações preciosas, que, mais tarde, podem ser agrupadas gerando uma pesquisa de mercado sobre o comportamento da classe médica ou sobre algum tópico que interesse ao laboratório.
Eu repito: Quem tem a informação tem o poder. Logo as pessoas detêm a informação como uma arma preciosa.
(*) Luiz Antonio de Moura Accioly é diretor da Rent Power. |