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Entrevista

“Enquanto o fracionamento não for obrigatório, nós não vamos fazê-lo”


Top Team: Qual a posição da Torrent do Brasil sobre os remédios fracionados?

 

Orlando Famá Júnior: Como nossos produtos são para uso contínuo, é muito difícil o paciente comprar meia dúzia de comprimido, já que o médico estabelece um tratamento mínimo de, normalmente, quinze dias. A maioria de nossos produtos tem duas apresentações: uma para 15 dias de tratamento e outra para 30 dias. Por isso, não houve necessidade da Torrent ter produtos fracionados. Nós temos medo de falsificação e os fracionados podem estimular essa prática, além da troca inadequada do produto por balconistas não muito éticos. A posição da Torrent é: enquanto o fracionamento não for obrigatório, nós não vamos fazê-lo porque não vemos a necessidade.

 


Top Team: Em qual escala você vê a falsificação de medicamentos?

 

Orlando Famá Júnior: Eu já trabalhei em vários laboratórios e, em muitos deles, tiveram produtos falsificados. Nós denunciamos e falamos onde eles estavam sendo comercializados. Então, eu já convivo com essa falsificação há muitos anos. No caso da Torrent, nós ainda não encontramos produtos falsificados. O brasileiro é muito criativo e sempre procura uma maneira de enriquecer ilicitamente.

 


Top Team: Quando você mencionou que os fracionados estimulariam a falsificação, você disse isso porque essa prática seria facilitada?

 

Orlando Famá Júnior: O fracionado perde algumas garantias que a própria Anvisa implantou, como, por exemplo, o fato do cartucho ser lacrado e ter um selo de verificação. Já, o fracionado seria vendido mais solto, em blister ou envelope, e essa segurança, que a Anvisa criou, ficaria vulnerável.

 


Top Team: Você vê contradição no fato da Anvisa ter criado um sistema de segurança, mas autorizar, em alguns casos, os fracionados?

 

Orlando Famá Júnior: Sim, há uma contradição. Eu acho contraditório. A Anvisa sempre se preocupou em manter a qualidade dos produtos farmacêuticos e, de repente, aprova uma política de fracionamento, que é muito perigosa.

 


Top Team: Para finalizar, quais as metas da Torrent ainda para 2007?

 

Orlando Famá Júnior: Em 2007, temos como objetivo faturar U$ 75 milhões de dólares e alcançar a trigésima posição do ranking. Quando estivermos na trigésima, vamos almejar a vigésima quinta e por aí em diante. A Torrent do Brasil é uma empresa muito nova e tem que crescer, todos os anos, mais do que o mercado.

Veja abaixo o making off da entrevista:


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