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Entrevista
"Quem tem custo tem medo!"

Atual Diretor de Relações Institucionais do Cristália e Formado em Administração de Empresas pela Escola Superior de Administração e Negócios, Odilon Costa entende como poucos a cadeia farmacêutica em sua totalidade e, em entrevista exclusiva ao Top Team, discute tendências, competitividade e Parceria Público Privada.
"Valoriza-se agora a produção local do insumo farmacêutico ativo (IFA). Neste contexto, tem espaço a reindustrialização da farmoquímica nacional e a criação das novas empresas dedicadas a Biotecnologia", aponta o executivo, que já trabalhou na UCI-Farma, Enila e Synthelabo.
Com especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, o Diretor de Relações Institucionais do Cristália diz também que, para sermos mais competitivos, "necessitamos resolver de forma rápida e eficaz a questão maior que nos aflige que é o Custo Brasil".
Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista:
Top Team: A Saúde é uma das prioridades do governo federal?
Odilon Costa: Sim, sem dúvida. A Saúde ganhou a centralidade na agenda do governo federal. É só observar os discursos da Presidenta e os eventos que giram ao redor do Complexo Industrial da Saúde. Neste contexto, o Brasil percebeu que o seu mercado interno é um patrimônio nacional e que é capaz de suportar o crescimento de quem está aqui e aqui investe no capital produtivo.
Top Team: Os executivos do mercado farmacêutico conseguem enxergar este cenário relacionado à Saúde?
Odilon Costa: Nós executivos do mercado farmacêutico temos uma grande miopia, pois só enxergamos o mercado, e não incluímos na saúde, a saúde pública. Hoje, o governo trabalha muito melhor do que ontem o poder de compra do estado, e aí nasce a Parceria Público Privada.
Top Team: Hoje em dia, na cadeia farmacêutica, qual é a grande discussão?
Odilon Costa: É a reindustrialização. Valoriza-se agora a produção local do insumo farmacêutico ativo (IFA). Neste contexto, tem espaço a reindustrialização da farmoquímica nacional e a criação das novas empresas dedicadas a Biotecnologia.
Top Team: O que a indústria farmacêutica brasileira precisa fazer para ser mais competitiva?
Odilon Costa: Para sermos mais competitivos, necessitamos resolver de forma rápida e eficaz a questão maior que nos aflige que é o Custo Brasil, por isso que eu tenho dito que "Quem tem custo tem medo!". Colocam tudo no nosso custo e nós não conseguimos colocar no custo de ninguém. É impossível, então, ser mais competitivo com o preço mais caro, pressionado pelo Custo Brasil e o juro desnutrindo o capital produtivo e nutrindo o capital especulativo.
Top Team: Para finalizar, neste contexto, quais outras medidas devem ser colocadas em prática no Brasil?
Odilon Costa: Precisamos também aumentar o acesso a tecnologia e a inovação. Outro ponto importante é termos uma maior vontade dos políticos em ajustar a política industrial para minimizar as incertezas e intensificar uma mobilização nacional de todos os atores capazes de fazer um Brasil Maior.
Leia também... A indústria farmacêutica que investe em treinamentos técnicos para farmácias tem uma importante ferramenta de marketing nas mãos.
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