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Entrevista

FURP : um papel estratégico na saúde.



Médico pediatra pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização em Medicina Farmacêutica pela UNIFESP e mestrado em Administração de Empresas pela FEA/USP, Flávio Vormittag já trabalhou na Boehringer, Pfizer, United States Pharmacopeia, Schering-Plough, Wyeth e Eurofarma, além de presidir a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Atualmente, é superintendente da Furp, a Fundação para o Remédio Popular.

Fundada em 1974, a Furp tem uma produção anual de cerca de um bilhão de unidades farmacotécnicas e conta com mais de mil funcionários.

Em entrevista exclusiva ao Top Team, Vormittag explica porque a Furp tem uma posição estratégica nas políticas públicas de saúde, comenta os critérios que são utilizados para a produção de medicamentos e destaca: “Precisamos manter a máquina funcionando. Não vamos paralisar projetos.”

Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

Há espaço para projetos entre a Furp e a Indústria Farmacêutica Privada?
A Furp não concorre com as empresas privadas, uma vez que não pode vender no mercado privado. Já as empresas privadas podem vender no mercado público, mas somente por meio de licitações e de outros mecanismos. Portanto, não chega a ser uma concorrência. Temos, na verdade, uma grande parceria com os laboratórios privados e estamos abertos para ampliá-las, sendo via Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo ou via projetos diretos com a Furp.

De que forma a Furp ocupa uma posição estratégica nas políticas públicas de saúde?
A Furp completou, recentemente, 40 anos de existência. Participamos de diversos programas, que reforçam o propósito da Furp de desenvolvimento, produção, distribuição e dispensação de produtos para melhoria da qualidade de vida da população.Um exemplo é o Dose Certa. A iniciativa atende cerca de 600 municípios do Estado de São Paulo, com a entrega de 69 itens, sendo 36 produzidos pela FURP nas fábricas de Guarulhos e de Américo Brasiliense e 33 comprados pela Secretaria da Saúde. Desde a sua implementação, em 1995, a iniciativa já distribuiu mais de 23 bilhões de unidades farmacêuticas.

E no tocante a parcerias com a Indústria?
Participamos ativamente de um programa federal chamado Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). A iniciativa conta com a participação do governo, que identifica alguns medicamentos de interesse da população, principalmente os de alto custo; dos laboratórios privados, que vendem para o governo e também transferem tecnologia, e dos laboratórios públicos, que, entre 05 e 10 anos, dependendo da complexidade do produto, detém a tecnologia. Já assinamos, por exemplo, parcerias com laboratórios privados, que irão resultar na transferência de tecnologia para a produção de medicamentos contra o mal de Alzheimer e para auxiliar o tratamento de AVC (Espiral/COIL).

Nos parece que a Furp vai além da produção de medicamentos. Isso procede?
Queremos contribuir ainda mais para a melhoria da qualidade de vida da população. A Furp não fabrica somente remédio, mas produtos para a Saúde. Um exemplo é o DIU (Dispositivo Intrauterino), cuja produção, dentro da PDP, se iniciou em 2015. No segundo semestre deste ano, devemos iniciar a fabricação de aparelhos auditivos, uma vez que já temos registro na Anvisa.

Quais critérios são levados em conta na hora da escolha do medicamento a ser produzido?
Os órgãos públicos identificam as necessidades. Vou dar um exemplo. Alguns produtos perdem interesse comercial por parte dos laboratórios privados, como, por exemplo, medicamentos contra a Turbeculose. A Furp é o único laboratório do país que fabrica este tipo de medicamento.

Para finalizar os desafios da FURP para 2015?
Diversas reportagens têm sinalizado sobre as dificuldades do país em relação ao ponto de vista financeiro, contribuindo para uma contenção de gastos. A Furp sofre, naturalmente, com a limitação deste recurso. O ano de 2016 não deve ser muito diferente. Mas, precisamos manter a máquina funcionando, manter o negócio viável. Não vamos paralisar projetos. 2017 será um ano mais interessante para a Furp.


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