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INDÚSTRIA FARMACÊUTICA: Empresa nacional destaca-se no cenário de pesquisas
Por Célia Piovan
A pesquisa clínica no Brasil cresceu exponencialmente e ainda tem grande potencial.
As atividades realizadas pelas indústrias farmacêuticas instaladas no Brasil frente ao produzido nos países desenvolvidos vem sendo impactadas pelas inovações tecnológicas e pelas políticas públicas referentes ao estabelecimento de estratégias de desenvolvimento industrial. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o Brasil é visto como um país fármaco-emergente, opinião corroborada pelo diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos, Roberto Debom, que destaca os avanços da empresa nessa área.
Top Team: Qual o foco da pesquisa e para qual área é voltada?
Roberto Debom: A Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cristália (PD&I) está voltada a diferentes ramos do setor farmacêutico. Apesar de destacar-se na área de analgésicos e anestésicos, a Cristália possui cerca de 350 produtos e apresentações diferentes, sendo produzidos e comercializados no mercado brasileiro e em mais 30 países. Logo, as classes terapêuticas focadas pelo PD&I da Cristália não podem ser limitativas de seu portifólio, abarcando desde novos anestésicos e analgésicos, como também antivirais, anti-inflamatórios, anticoagulantes, antiasmáticos, produtos cardiológicos e do metabolismo, além de biofármacos (hormônios, anticorpos, etc) e novos princípios ativos (farmoquímica).
O maior exemplo dessa diversificação é o recentemente lançado Carbonato de Lodenafila, o Helleva®, que atua em uma área diferente das acima descritas, ou seja, na reversão da disfunção erétil. Esse produto foi desenvolvido internamente no Cristália, desde o princípio ativo, até o produto final, sendo o primeiro medicamento sintético 100% nacional.
TT: Quais avanços já foram conquistados?
RD: Foi desenvolvida uma grande gama de novos produtos, desde os genéricos e similares (com cerca de trinta produtos exclusivos no Brasil), até inovadores para o mundo, com patentes concedidas nos EUA e na Europa. Porém, a maior conquista é a constante capacitação humana e tecnológica da empresa para o contínuo desenvolvimento de novos produtos, o que tem sido reconhecido por inúmeras instituições e pelos prêmios concedidos à empresa, no ramo da inovação tecnológica e organizacional em nosso País, como, por exemplo, o Prêmio FINEP (Cristália foi considerada, em 2007, a grande empresa brasileira mais inovadora do País).
Isso nos incentiva e faz-nos acreditar que seremos não só a primeira empresa brasileira a implementar o primeiro medicamento sintético totalmente nacional novo para o mundo, como, também, que continuaremos a lançar e destacarmo-nos no mercado de produtos pioneiros, aumentando gradualmente nosso portifólio inovador.
TT: A que ponto a empresa pretende chegar?
RD: Ser referência nacional em inovação tecnológica no setor farmacêutico e conquistar, cada vez mais, uma independência do mercado internacional para produção de insumos e produtos farmacêuticos acabados. O que por fim, dá-nos a possibilidade de praticar preços mais justos no mercado nacional e promover um maior acesso da população a esses tratamentos.
TT: O que foi realizado até o momento?
RD: Entre os novos para o mundo estão HELLEVA, NOVABUPI, KETAMIN S+, SEVOCRIS, ALIMAX e FENTANEST.
Entre os novos para o Brasil e exclusivos da Cristália estão Aramin, Brevibloc, Clonidin, Codein, Difenidrin, Dimorf, Dormire, Droperdal, Endofix, Fenilefrin, Flufenan, Flufenan Depot, Frutovitam, Mytadon, Narcan, Neocaína 0,5%Isobárica, Nepresol, Nilperidol, Nubain, Revia, Tanohalo, Tridil, Xylestesin 2% gel e Xylestesin 5% pesada.
Entre os antivirais desenvolvidos, temos Efavirenz (Evir), Ritonavir (Ritovir), Saquinavir (Svir), Stavudina (Svudin), Lamivudina (Lami), Zidovudina, Tenofovir e Lopinavir.
O portifólio tecnológico apropriado pela empresa, através de patentes, já atingiu vinte depositadas no INPI e mais sessenta e cinco depositadas em outros territórios (cerca de vinte PCTs), abarcando países centrais, como EUA, Japão e os europeus, além de países emergentes, como China, Korea e Índia, entre outros. Exportamos nossos produtos para mais de trinta países e temos mais de 95% dos hospitais brasileiros como nossos clientes.
TT: Em virtude dos altos custos que as pesquisas geram, os subsídios estão exclusivamente a cargo da Cristália ou há parceiros? Quais?
RD: Sim, há parceiros públicos. Os principais são a FINEP e o BNDES, sendo que o primeiro destaca-se no âmbito da inovação tecnológica, enquanto que o BNDES dedica-se mais a infraestrutura fabril. Podemos citar, ainda, FAPESP e CNPq, que apoiam nossos projetos, seja diretamente ou indiretamente, através dos nossos parceiros tecnológicos, como universidades e centros de pesquisa.
TT: Como vê o segmento de pesquisa no Brasil?
RD: Vejo a pesquisa brasileira em um crescente constante. Nossos mestres e doutores formados aumentam em número a cada ano, o que se reverte diretamente na porção pertencente ao Brasil dentro da pesquisa mundial, sem deixar a qualidade de lado. Estamos publicando cada vez mais em periódicos de alto impacto e nossos resultados de pesquisa têm sido reconhecidos mundialmente, vide o caso do sequenciamento genômico da Xilela fastidiosa, em que fomos o primeiro País do hemisfério Sul do planeta a desvendar completamente o código genético de um fitopatógeno, através de uma imensa rede de pesquisa, suportada principalmente pela FAPESP, que é a principal fonte de amparo financeiro à pesquisa no Brasil. Posso afirmar que a ciência brasileira é respeitada mundialmente e nossos pesquisadores são desejados em todos os centros de pesquisa, não só pela qualidade do trabalho, mas, também, pela capacidade de otimização e de solução de problemas, muito derivada das condições adversas que se veem forçados a trabalhar nas universidades brasileiras, porém originando bons resultados.
TT: Quais outros pontos importantes pode destacar em relação ao Brasil?
RD: Outro diferencial de nossos pesquisadores é o olhar mais amplo da ciência. Ciência, esta, que se encontra a cada dia mais complexa, forçando uma especialização extrema dos pesquisadores e, por fim, limitando-os a uma única área de trabalho. Porém, no Brasil, o estilo de ensino e a prática do vestibular, apesar de possuir problemas bem conhecidos, conferem uma visão generalista, independentemente da área escolhida, possibilitando ao nosso profissional a oportunidade de ter um conhecimento amplo (porém pouco profundo) e ao mesmo tempo especializado após formação acadêmica superior, gerando um perfil único e de interesses nacional e internacional. Essa particularidade do profissional de pesquisa do Brasil é especialmente importante para o setor de inovação tecnológica, em que não só o conhecimento é importante, mas, também, a mente aberta, a flexibilidade e a capacidade de improviso, frente aos obstáculos estabelecidos.
O que ainda vemos com preocupação é a não transferência desse recurso humano da universidade para as empresas, estando cerca de 90% de nossos doutores alocados em instituições públicas de ensino e pesquisa superiores. Portanto, a pesquisa aplicada oriunda de laboratórios privados sente fortemente essa assimetria da alocação de profissionais capazes de realizar pesquisa de alta qualidade, o que certamente afeta a nossa produção de inovações passíveis de impactar radicalmente o mercado.
TT: Falando de capacitação e de profissionais, qual a estrutura humana da Cristália?
RD: Nesse sentido, a Cristália vem destacando-se no setor produtivo privado nacional, onde possuímos cento e vinte e seis colaboradores dedicados a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), contendo nesse grupo vinte e um doutores, oito mestres e vinte e cinco especialistas. Procuramos, com isso, alcançar a excelência em pesquisa aplicada, absorvendo profissionais altamente qualificados formados em nossas universidades e centros de ensino e pesquisa.
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