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Entrevista
“É notório o avanço no Reino Unido e demais países desenvolvidos em relação ao Brasil”

Rodrigo Moura já trabalhou na Procter & Gamble, Sony Ericson Mobile e OPAS/OMS. Atualmente, está na Reckitt Benckiser, onde ocupa o cargo de Global Trade Marketing Director.
Diretamente de Londres, onde mora, o executivo concedeu uma entrevista exclusiva ao Top Team. Moura falou sobre os desafios de implementar estratégias globais e sobre a RB se posicionar como empresa “health care”, entre outros pontos.
Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista:
É possível reproduzir globalmente estratégias e procedimentos de sucesso executados localmente?
O cenário econômico e mercadológico varia amplamente entre os países. Os desafios e focos são diferentes nos países desenvolvidos, quando comparados aos países em desenvolvimento. Consumidores também apresentam hábitos de consumo diferentes, o que desafia multinacionais com estratégias de marcas globais. Entretanto, é possível encontrar similaridades entre as estratégias e táticas encontradas para superar os principais desafios.
Quais foram ou são as principais dificuldades de implantar uma estratégia global uniforme?
Uma das principais tarefas da coordenação global é “unir os pontos”, levando as melhores soluções para desafios comuns. Marcas globais também encontram diferentes níveis de estabelecimento e o ciclo do produto difere de país para país. Respeitar a essência da marca, encontrando o posicionamento correto para cada país, é o grande desafio das empresas. Os posicionamentos de marca mais efetivos são aqueles baseados em insights humanos e não de consumidores locais. O hábito de consumo local varia, mas a essência da humanidade não. As empresas globais também devem ter flexibilidade para adaptar os modelos globais de sucesso para realidades locais.
Como esta o avanço da estratégia global da RB de posicionar-se como empresa “Health Care”?
A visão da RB é um mundo onde as pessoas são mais saudáveis e vivem melhor. Fazer as pessoas se sentirem bem é o coração da nossa estratégia de Health Care. Estamos ampliando nossos investimentos em pesquisa e inovação, de forma a permanecer na frente do jogo. De fato, a RB está mudando o jogo em “consumer health”. Já somos a sétima maior empresa de OTC globalmente e a que apresenta a maior taxa de crescimento entre as Top 10. Já somos uma grande empresa de HC global e em vários países somos líderes de mercado.
Como está o mercado Brasileiro nesse contexto?
O Brasil, por sua vez, é um mercado grande e competitivo, que apresenta complexidades. Mas, por outro lado, possui profissionais de alta capacidade e abundância de estratégias vencedoras que podem facilmente ser exportadas e adaptadas para outros países. Especificamente no mercado farmacêutico, o Brasil possui similaridades com grandes mercados como China e Índia, por exemplo. A RB Brasil vem apresentando um excelente crescimento nas categorias de Health Care e continuará crescendo fortemente nos próximos anos.
Para finalizar, você encontrou um cenário muito diverso quanto à inovação, suporte tecnológico ou capacitação profissional, comparando com o Brasil?
Sim, sem duvida. É notório o avanço no Reino Unido e demais países desenvolvidos em relação ao Brasil. As inovações de produto tendem a chegar antes nestes países, seja pela questão regulatória – mais demorada no Brasil -, seja porque o mercado brasileiro ainda não está pronto para algumas inovações. Na capacitação profissional, a diferença também é notória. Os profissionais que assumem funções globais tendem a vir de países desenvolvidos, devido a melhor educação e melhores experiências profissionais; e os brasileiros que assumem estas funções são realmente diferenciados. Em termos de suporte tecnológico, informações de mercado e estratégias de trade marketing, o Brasil também está atrás, infelizmente.
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