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Entrevista

As estruturas regulatórias são as mesmas há dez anos

Em 2008, Ricardo Ferreira recebeu uma proposta, ou melhor, um "desafio", como ele mesmo gosta de definir. "Trabalhava em Portugal e surgiu a oportunidade de montar as operações da Boiron no Brasil", conta o executivo, que tem especialização em marketing e negócios internacionais.

Em entrevista exclusiva ao Top Team, Ferreira, que já teve passagens pelo laboratório português Edol e pela empresa americana Bausch & Lomb, analisa as estruturas regulatórias, fala sobre crescimento e destaca: "nossa expectativa é estar entre os cinco países com maior faturamento da companhia".

Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista:

De que forma a Boiron expandiu a sua atuação no Brasil, nos últimos cinco anos?
Comercialmente falando, nossa operação está sendo um sucesso. Tivemos dois grandes eixos de crescimento: a aceitação do médico pediatra, que tem receitado, cada vez mais, os nossos produtos; e uma ótima entrada no PDV. Rapidamente, conseguimos colocar os medicamentos da Boiron nas principais redes de farmácias do Brasil.

No momento, quais são os principais desafios da Boiron?
Temos desafios regulatórios e também logísticos. O Brasil cresceu muito nestes últimos cinco anos, com a chegada de novas empresas. No entanto, há uma grande dificuldade para se transportar medicamentos. Além disso, as estruturas regulatórias a nível federal e estadual, como, por exemplo, Anvisa e Covisa, são as mesmas há dez anos. Ou seja, as mesmas estruturas estão sendo utilizadas para um maior registro de medicamentos. Como consequência, em agosto, completa três anos que estamos no aguardo do registro de alguns medicamentos.

Uma maior agilidade no processo de registro de medicamentos ajudaria a Boirion a crescer mais no Brasil?
Com certeza. Com mais medicamentos no mercado, aumentaríamos as nossas vendas, impulsionando um maior crescimento. Além disso, poderíamos investir em mais contratações, gerando empregos e ampliando o nosso quadro de colaboradores. Como consequência, iríamos pagar também mais impostos, contribuindo para o crescimento do país. No entanto, as estruturas regulatórias do Brasil emperram o crescimento da indústria farmacêutica e do País.

Mesmo com estes desafios, a Boirion cresceu em 2012?
Em 2012, a filial da Boiron no Brasil cresceu 70%, em comparação com o ano anterior. Em porcentagem, foi a subsidiária que mais cresceu no mundo. Mas, estamos muito longe dos países que têm o maior faturamento para a companhia. A lista é liderada pela França, que é seguida por Estados Unidos, Rússia, Itália e Espanha.

Na Europa, há esta mesma espera para o registro de novos medicamentos?
Na Europa, as estruturas regulatórias estão muito mais organizadas e estruturadas. Há, por exemplo, uma interpretação da legislação mais clara e objetiva. Dificilmente um laboratório leva três anos para registrar um medicamento, principalmente sendo da área de homeopatia.

Para finalizar, qual apoio a matriz oferece para a filial brasileira?
Nossa expectativa é estar entre os cinco países com maior faturamento da companhia. Esta meta está relacionada a alguns fatores, como os registros de novos medicamentos e aumento das vendas. Apesar dessa demora excessiva ainda temos suporte total da matriz, que vê um grande potencial de crescimento no Brasil.


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