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Estresse do poder e a importância do equilíbrio



O exercício da liderança é uma das atividades mais prazerosas e motivadoras, pois envolve o desenvolvimento técnico e humano na organização. Há de se ressaltar, porém, que a liderança é motivadora, mas também estressante. Liderança envolve poder e influência, e o poder tende a gerar o distanciamento entre as pessoas. Essa distância causa uma sensação de solidão, uma percepção de que é deixado um pouco de lado no apoio e nos relacionamentos com as pessoas. É como se o líder tivesse que ser constantemente o alicerce emocional de todos sem precisar de contrapartida nessa área.

O fato é que a liderança envolve pressões diárias, tomadas de decisões com informações fragmentadas, constantes crises, as árduas responsabilidades, sem contar a eterna necessidade de influenciar. O corpo humano não está preparado para isso e os líderes podem entrar num perigoso quadro de ansiedade, revolta e preocupação constante.

Os líderes, além de administrarem as suas próprias emoções, precisam administrar as emoções dos outros. Como se não bastasse, eles precisam liderar pelo exemplo. Os líderes têm, ainda, a necessidade de inspirar as pessoas em torno de um objetivo comum, criar um propósito que deixe claro, não apenas ¨o que fazer¨ e ¨como fazer¨, mas também ¨por que fazer¨. Desta maneira é que conseguirão mobilizar as pessoas em prol de objetivos maiores, que vão além dos meros interesses individuais.

Toda essa carga, pode ser um gatilho para o surgimento do chamado estresse do poder, que transforma bons líderes em líderes dissonantes, os quais com frequência, nem percebem os estragos que causam para si e para seus liderados.

Para ser um grande líder, é necessário que, o profissional entenda que deve evitar entrar no looping da dissonância, ele deve focar sua atenção no desenvolvimento de seu intelecto, na compreensão e no controle das emoções, cuidando de seu corpo, e indo ao encontro dos sonhos e crenças mais profundas que alimentam sua alma.

Estamos falando de mudanças psicológicas e fisiológicas, de equilíbrio.

* Rodrigo Casagrande é professor de pós-graduação do ISAE/FGV na disciplina de Liderança e Desenvolvimento de Equipes e sócio-diretor da Armatta Desenvolvimento Humano e Organizacional.


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