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Edição 02 - Ano 19
ENTREVISTA
“Nossa visão de investimento nunca é de curto prazo”

África do Sul, Argentina e Espanha. Esta lista de países, com culturas distintas, é uma prova de que o brasileiro Luciano Marques busca experimentar mudanças.

Atual Diretor Geral da Alcon no Brasil, o executivo foi Diretor de General Medicines na Argentina, Head de Marketing na Espanha e Presidente da Novartis na África do Sul.

Marques também trabalhou na Roche e Chiesi Farmacêutica, onde iniciou como representante. “Nesta época, eu queria me desenvolver e crescer. A trilha para presidir uma empresa foi mais natural do que planejada”, lembra.

Em entrevista exclusiva ao Top Team, o Diretor Geral da Alcon no Brasil faz um balanço dos primeiros meses à frente da companhia, detalha sua experiência no exterior e explica porque a crise não impediu a inauguração de um Centro de Distribuição. Acompanhe os principais trechos da entrevista:

Após ter uma ampla experiência no exterior, qual dica você dá aos executivos que querem ter a mesma vivência?
A minha experiência foi bem heterogênea, incluindo América do Sul, Europa e África. A África do Sul tem semelhanças com o Brasil. As grandes empresas presentes em nosso país estão lá e a África do Sul também tem uma indústria nacional. Além disso, a população tem uma necessidade parecida com a nossa. Há diversos idiomas oficiais e, se bem utilizado, esse contexto é fantástico, pois ajuda a buscar formas distintas para solucionar um problema. Já na Espanha, o governo prove saúde para o cidadão. A saúde é mais igualitária, mais homogênea. Na Argentina, o cidadão que está trabalhando faz parte de um Sindicato que disponibiliza plano de saúde.

Além disso, a farmácia independente é muito forte, já no Brasil as redes têm mais força. Uma dica é vivenciar a cultura do pais, enxergando pontos positivos e se envolvendo. Buscar o que já se conhece quando em um país em que você está chegando, vai gerar frustração.

Quais seus compromissos mais frequentes como Diretor Geral da Alcon no Brasil?
Foco em pessoas. Tenho que estar disponível para as distintas áreas que reportam para mim, como, por exemplo, qualidade e comercial. Boa parte do meu tempo também está dedicada ao cliente. A Alcon tem uma relação próxima ao cliente, especialmente porque sempre apresentamos inovações. Gosto muito de interagir com o cliente. Faço muitas visitas aos centros cirúrgicos.

Na direção geral da Alcon no Brasil seus desafios de consolidar e ampliar o acesso da população à medicamentos inovadores e uso de novas tecnologias já foram alcançados?
Cheguei em outubro para dar continuidade a trajetória da companhia, que vinha crescendo. Tivemos alguns lançamentos, como, na área cirúrgica, o ORA com tecnologia VerifEye+, que foi projetado para fornecer dados mais abrangentes no centro cirúrgico, a Lente intraocular trifocal AcrySof IQ PanOptix, indicada para pacientes com presbiopia submetidos à cirurgia de catarata, e a UltraSert Pre-loaded Delivery System, que representa uma evolução no processo de implante das lentes intraoculares. Na unidade Vision Care, lançamos CLEAR CARE PLUS com HydraGlyde, sistema de limpeza e desinfecção para todos os tipos de lentes de contato, e a AirOptix Colors, primeira e única linha de lentes de contato de silicone hidrogel colorida. Na unidade farma, apresentamos o Systane Lid Wipes, lenços umedecidos estéreis, embalados individualmente, prontos para uso, fáceis de usar e transportar. Além disso, lançamos o E-commerce My Alcon e inauguramos o Novo Centro de Distribuição de Goiás.

Você pode detalhar estes dois projetos?
O E-commerce My Alcon permite que os médicos interajam com a empresa de uma forma mais ágil e fácil. Clínicas e hospitais podem, por exemplo, consultar uma informação ou fazer um pedido de insumo e lentes intraoculares para cirurgia. Trata-se de um projeto piloto e outros países estão aguardando para lançar. Inauguramos também um Centro de Distribuição em Goiás para atender a área cirúrgica. Agora, temos a entrada de produtos importados por dois pontos diferentes, uma vez que a empresa já conta com um CD em Barueri. Além disso, estamos acompanhando o crescimento no Norte e Nordeste do país. Esse não foi um investimento pensado a curto prazo. Foi pensado para suprir as necessidades da próxima década que teremos no país, uma vez que este Centro pode dobrar nossa capacidade de distribuição e está em linha com nosso plano de aceleração.

A crise econômica fez a Alcon repensar a inauguração do Centro de Distribuição?
Não. Esse não é um projeto que você começa esse ano e implementa nesse ano. A estratégia começou em 2014 e ele foi implementado em 2016. Vamos concretizar o nosso investimento para a retomada do mercado. Nossa visão de investimento nunca é de curto prazo.

Quais serão os principais desafios em 2017?
Vamos continuar crescendo. Temos um pipeline muito forte. O próximo ano não foge a essa regra. Indicadores sinalizam um início de retomada no ano que vem. Acredito que 2018 em diante será mais forte e sustentável.

Para finalizar, recentemente, o mercado chegou a cogitar a venda da Alcon. Foi apenas especulação ou isso pode se confirmar em 2017?
Não existe nada oficial sobre esse ponto. Estamos fazendo um alto grau de investimento, o que vai na contramão quando você está pensando em vender. Temos um plano de aceleração muito forte e adquirimos três novas empresas.

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